A primeira PCSK9 em comprimido

Edição de domingo
19 de julho de 2026
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Olá! A semana teve uma novidade de bula e dois documentos que mexem com o hábito: a classe mais potente depois das estatinas virou comprimido, a AHA disse que tirar remédio é conduta, e que quase ninguém é "frágil demais para treinar". Bom plantão. 🫀

★ Destaque da semana

A primeira PCSK9 em comprimido

O FDA aprovou em julho a enlicitide, primeiro inibidor de PCSK9 por via oral — até aqui a classe só existia como injeção. No programa CORALreef: LDL −55,8% vs. placebo em 24 semanas (Lipids, n≈2.909), 78% dos pacientes na meta de LDL contra 8% com ezetimiba (AddOn) e ≈59% de redução na hipercolesterolemia familiar heterozigótica. Também caíram não-HDL, ApoB e Lp(a).

A ressalva que importa mais do que o número: todo esse resultado é de LDL — desfecho substituto. Redução de infarto, AVC ou morte ainda está em teste (CORALreef Outcomes, NCT06008756). E a aprovação é do FDA: registro na Anvisa não confirmado. Potência sem a agulha, com otimismo contido.

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Ambulatório · posicionamento

Tirar remédio também é conduta

O Scientific Statement da AHA sobre desprescrição no cardiopata (Circulation, 2026) enfrenta um problema conhecido há décadas e quase nunca ensinado — e é explícito num ponto que costuma escapar: a desprescrição vale tanto para as drogas cardiovasculares quanto para as não cardiovasculares (AINE, benzodiazepínico, IBP, anticolinérgico), porque as duas contribuem para o dano. Quatro estratégias sustentam o processo: gatilhos clínicos, ferramentas validadas, decisão compartilhada e tarefa distribuída pela equipe.

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Reabilitação · posicionamento

Quem "não pode treinar" quase sempre pode

Fragilidade, AVC, lesão medular, doenças reumatológicas, cardiomiopatias genéticas, portadores de dispositivo, IC avançada: o rótulo de "alto risco" vira contraindicação informal ao exercício. O Scientific Statement da AHA (Circulation, 2026) mostra o contrário, com um achado contraintuitivo — justamente por partirem de aptidão cardiorrespiratória baixa, essas populações obtêm ganhos que igualam ou superam os das populações tradicionais. O que muda é a prescrição, não a indicação: força, equilíbrio e flexibilidade entram junto com o aeróbio.

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Imagem · guia de bolso

Estenose mitral: o erro mora no número, não no padrão

Reconhecer a estenose mitral reumática é a parte fácil — doming no eixo longo, fusão comissural no curto. A armadilha está na quantificação: há cenários clínicos em que o método mais usado devolve uma área maior do que a real, e uma condição na tabela de gravidade que, ignorada, muda a classificação do paciente. O guia mostra onde cada método engana, o que reportar junto do gradiente e o checklist do laudo.

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Use isso hoje

No próximo retorno, leia a lista de medicações inteira — inclusive as não cardiovasculares — e faça uma pergunta só: "qual destas não tem mais indicação ativa?" A polifarmácia do cardiopata quase nunca entra pela porta da cardiologia. A lista é conduta ativa, não histórico.

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